Macros e Nutrição

Quantas Calorias Devemos Consumir por Dia? Guia por Perfil

Quantas calorias devemos consumir por dia segundo a DGS, EFSA e OMS. Valores de referência por sexo, idade e nível de atividade, com contexto para a realidade portuguesa.

13 de abril de 2026·8 min read·Equipa Editorial Ovio
Conteúdo verificado pela Equipa Editorial Ovio com base em evidência científica (PubMed, DGS, EFSA)

Resumo rápido: As recomendações gerais situam as necessidades calóricas de um adulto entre 1.600 e 3.000 kcal por dia, dependendo do sexo, idade e nível de atividade. Para a população portuguesa adulta, a DGS e a EFSA usam valores de referência de 2.000 kcal para mulheres e 2.500 kcal para homens com atividade moderada. Estes números são médias populacionais e podem não corresponder às tuas necessidades individuais.

As 2.000 calorias que aparecem nos rótulos dos alimentos não saíram do nada. São um valor de referência definido pela EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos) para facilitar a comparação nutricional nos rótulos. Representam as necessidades médias de uma mulher adulta com atividade moderada na União Europeia.

Este artigo explica o que estes valores significam, como variam consoante o perfil, e o que diz a evidência sobre as necessidades calóricas reais em Portugal. Para calculares o teu valor individual, usa a Calculadora de Calorias.

Os valores de referência: o que dizem DGS, EFSA e OMS

A Direção-Geral da Saúde (DGS) alinha as suas recomendações com as da EFSA, que por sua vez seguem de perto as directrizes da OMS. Os valores de referência para adultos saudáveis com atividade física moderada são:

PerfilReferência DGS/EFSAMétodo Ovio
Mulher adulta (19-50 anos), moderadamente ativa1.900 a 2.100 kcalCalculado individualmente por peso, altura e atividade real
Homem adulto (19-50 anos), moderadamente ativo2.400 a 2.600 kcalCalculado individualmente por peso, altura e atividade real
Mulher adulta (51-70 anos), moderadamente ativa1.700 a 1.900 kcalAjustado para perda de massa muscular por idade
Homem adulto (51-70 anos), moderadamente ativo2.200 a 2.400 kcalAjustado para perda de massa muscular por idade
Mulher grávida (2.º trimestre)+340 kcal acima do normalAcompanhamento recomendado com nutricionista
Mulher a amamentar+500 kcal acima do normalAcompanhamento recomendado com nutricionista

Fonte: EFSA Dietary Reference Values (2017) e DGS Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável.

Estes valores assumem "atividade moderada", que a EFSA define como um PAL (Physical Activity Level) de 1.6, equivalente a caminhar cerca de 30 a 60 minutos por dia além das tarefas diárias normais. Quem treina regularmente tem necessidades mais altas.

Como as necessidades calóricas variam com o teu perfil

As tabelas de referência são um ponto de partida, não uma resposta. Quatro fatores determinam o teu valor real.

Peso e altura. Corpos maiores precisam de mais energia para se manter. Um homem de 90 kg com 185 cm precisa de mais calorias do que um homem de 65 kg com 170 cm, mesmo com a mesma idade e o mesmo nível de atividade. As fórmulas metabólicas (como Mifflin-St Jeor) capturam esta variação de forma matemática.

Idade. O metabolismo basal diminui aproximadamente 1 a 2% por década a partir dos 30 anos, segundo Speakman & Selman (2003). A razão principal é a perda gradual de massa muscular com o envelhecimento. Uma pessoa de 55 anos com o mesmo peso e atividade de quando tinha 30 pode precisar de 100 a 200 kcal menos por dia.

Nível de atividade. É o fator com maior variabilidade. A diferença entre uma pessoa sedentária e uma pessoa que treina força 5 vezes por semana e ainda caminha muito no trabalho pode ser de 700 a 1.000 kcal por dia, no mesmo indivíduo.

Composição corporal. Músculo consome mais energia em repouso do que gordura, na proporção de aproximadamente 3 para 1 (Wang et al., 2010). Dois indivíduos com o mesmo peso mas composições corporais diferentes têm metabolismos basais diferentes, e as tabelas de referência não capturam esta variação.

Mulheres e homens: porque as necessidades são tão diferentes

A diferença média de 400 a 500 kcal entre as necessidades de homens e mulheres tem três causas principais.

A primeira é a massa corporal. Os homens pesam em média mais do que as mulheres, e corpos maiores gastam mais energia.

A segunda é a composição corporal. Os homens têm, em média, uma proporção maior de massa muscular em relação ao peso total. Como o músculo é metabolicamente mais ativo do que a gordura, este facto traduz-se num metabolismo basal mais elevado por kg de peso.

A terceira é a influência hormonal. A progesterona aumenta ligeiramente a temperatura corporal e o gasto energético na fase lútea do ciclo menstrual. Segundo McNeil & Morrison (2017), as mulheres gastam em média 100 a 300 kcal adicionais por dia na segunda metade do ciclo. Esta variação raramente é considerada nos cálculos convencionais.

O que acontece quando comes sistematicamente abaixo das tuas necessidades

Comer significativamente menos do que o teu gasto calórico durante períodos prolongados tem consequências que vão além da perda de peso.

A resposta mais imediata é a redução do metabolismo. Numa tentativa de preservar energia, o corpo diminui o gasto calórico em repouso, reduz a atividade espontânea (moves-te menos sem te aperceberes), e baixa os níveis de hormonas como a triiodotironina (T3) e a leptina (Rosenbaum & Leibel, 2010).

A longo prazo, défices calóricos crónicos e severos estão associados a perda de massa muscular, perturbações hormonais, comprometimento do sistema imunitário e dificuldade em manter o peso perdido após o fim da restrição.

O limiar de risco varia por pessoa, mas a maioria das organizações de nutrição desportiva, incluindo o ACSM, desaconselha défices superiores a 25% do TDEE por períodos superiores a 4 a 6 semanas sem monitorização.

Abaixo dos 1.200 kcal para mulheres e 1.400 kcal para homens, é muito difícil atingir as doses diárias recomendadas de vitaminas e minerais apenas com alimentação, o que justifica a necessidade de suplementação e de supervisão médica nesses casos.

Como usar estas referências sem contar calorias a vida toda

Os valores de referência têm utilidade prática mesmo para quem não quer contar calorias permanentemente.

O uso mais útil é como calibração inicial. Calcula o teu TDEE uma vez, aprende como é um dia de alimentação que corresponde a esse valor, e usa esse conhecimento para orientar as tuas escolhas sem precisar de registar tudo todos os dias.

Após 6 a 12 semanas de tracking rigoroso, a maioria das pessoas desenvolve intuição suficiente para estimar as suas refeições com razoável precisão. O counting não tem de ser permanente. É uma ferramenta de aprendizagem, não um estilo de vida obrigatório.

O segundo uso é como referência de troubleshooting. Quando o peso não está a responder como esperado (nem a descer nem a subir), comparar o que estás a comer com o teu TDEE estimado ajuda a identificar rapidamente se há um problema de subestimação ou sobrestimação.

A Ovio regista automaticamente as calorias das tuas refeições, o que facilita este processo sem precisares de pesar tudo manualmente.

Perguntas frequentes

Os valores de referência da embalagem (2.000 kcal) são para mim?

Provavelmente não de forma exacta. Os 2.000 kcal nos rótulos são uma referência regulatória da EFSA para facilitar comparações entre produtos, baseada na média de uma mulher adulta moderadamente ativa. São úteis para a leitura de rótulos, mas não substituem um cálculo individual.

As necessidades calóricas mudam muito com a menopausa?

Sim. A queda nos níveis de estrogénio associada à menopausa tende a reduzir a massa muscular e alterar a distribuição de gordura corporal. Segundo Kapoor et al. (2017), o metabolismo basal pode diminuir 100 a 200 kcal por dia neste período. Manter treino de força e proteína adequada é especialmente importante nesta fase para compensar estas alterações.

Uma criança ou adolescente tem as mesmas necessidades que um adulto?

Não. As necessidades durante o crescimento são proporcionalmente mais elevadas por kg de peso. Um rapaz de 15 anos ativo pode precisar de mais de 3.000 kcal por dia. A DGS e a EFSA têm tabelas específicas por faixa etária pediátrica, e as necessidades durante a adolescência são significativamente mais altas do que as dos adultos com o mesmo peso.

Atletas de competição precisam de valores muito diferentes dos praticantes de ginásio?

Sim, de forma significativa. Atletas de endurance em treino intenso podem ter gastos de 4.000 a 6.000 kcal por dia (Burke et al., 2011). Os valores de referência gerais não se aplicam a este nível de atividade, e a periodização nutricional (adaptar a ingestão calórica ao volume de treino) torna-se indispensável.

Fontes científicas

  1. EFSA Panel on Dietetic Products, Nutrition and Allergies (2017). Dietary reference values for energy. EFSA Journal. Ver estudo

  2. DGS (2015). Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável. Direção-Geral da Saúde. Ver documento

  3. Speakman JR, Selman C (2003). Physical activity and resting metabolic rate. Proceedings of the Nutrition Society. Ver estudo

  4. Wang Z, Ying Z, Bosy-Westphal A, et al. (2010). Specific metabolic rates of major organs and tissues across adulthood. The American Journal of Clinical Nutrition. Ver estudo

  5. McNeil J, Morrison KM (2017). The effects of the menstrual cycle on appetite and food intake in healthy adult women. Physiology & Behavior. Ver estudo

  6. Rosenbaum M, Leibel RL (2010). Adaptive thermogenesis in humans. International Journal of Obesity. Ver estudo

  7. Burke LM, Hawley JA, Wong SH, Jeukendrup AE (2011). Carbohydrates for training and competition. Journal of Sports Sciences. Ver estudo

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